25 de abr. de 2011

Prólogo da lenda dos doze lobos

NOTA: esta leitura é melhor aproveitada se feita enquanto se ouve esta música:





gora vejo, neste vale, nestes campos amarelos, que até ao longe vão, permaneço atento aos teus passos, assim como sempre o fiz. Sei que escutas a essa melodia celestial como a quem suspira ao acordar para mais um dia. Luto com todas as minhas forças pra também ver o que reserva o futuro. Não pertenço a esta ordem, mas sigo atentamente os passos daqueles que me zelam, nem todas as sementes são frágeis para serem guardadas por frutos. Muitas vezes os frutos protetores são tão fracos que se esfacelam no impacto, neste lugar me sinto livre pra imaginar o que há após os vales verdes
Após os riachos puros e as Florestas das lamúrias.

alvez seja nestes lagos, que eu deva contar a lenda dos doze lobos. Lobos divididos em suas ordens internas, os de primeira ordem seguiam os preceitos, que cada homem leva na sua cabeça e no coração. Seis deles carregam os seis elementos principais para a verdadeira natureza. Os outros seis carregam os elementos que instigam o ocultismo da alma, tudo aquilo que ao alcance do teu toque for inevitável, se tornará funesto. Esses são os doze lobos da alma interior. Precisava distinguir a real diferença entre eles, e o homem em constante dúvida foi interrompida, dizia o homem das montanhas, que não sabia a diferença entre os seis lobos bons e os maus. Até que seu mestre, mostrou que não bastava conhecer os lobos e suas verdades, seu mestre mostrara que a escolha dos lobos seria justamente, aqueles que ele alimentaria na vida.

assim o homem compreendeu que o que fazia em vida, fazia com que seus lobos uivassem pela eternidade. Como uma alcatéia de lobos famintos por seus conhecimentos e anseios, e é exatamente o que queriam do homem, atitude suficiente e determinativa.



Música: The Gael - Royal Scots Dragoon Guards
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23 de abr. de 2011

Dança


Vejo-a alva, progredindo no ar
Sem amor e sem desejo
Bailarina, com seus passos confusos
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20 de abr. de 2011

Você vai me dizer

NOTA: esta leitura é melhor aproveitada se feita enquanto se ouve esta música:


Como um tecelão que unta as pontas
E faz render em entusiasmo
Sem ajojo ou atrito
Um artesão, na linha de montagem

Desconsidere o valor do justo
Abra o olho com o marasmo
Fique atento quando está nítido
A verdade nem sempre é tao clara

Subentenda o que lhe disserem
Quando em palavras nao for dito
Faça mensao aos subalternos
Diga não ao que for pedido

Não resta nada neste processo
Pelo qual antes de mim passaram
Meu irmão, um capitão, um carrasco
Fite a porta, no horizonte, pela qual todos entraram

Forcei a hora do renascimento
E no calor, pisei em falso
Senti na pele, a vaca gorda
Que em anemia, procura o pasto


Música: Where Is My Mind? - Pixies (Lush Instrumental Version)
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18 de abr. de 2011

Paradoxos Oxímoros da Transmigação

NOTA: esta leitura é melhor aproveitada se feita enquanto se ouve esta música:


Você vem de outra era, você vem de outro tempo
Espera aprender o que é gerado pelo povo
Atende as necessidades da vida
Mas se sente nômade, em constante movimento

Aguarda seguir os preceitos da juventude
Mas é bruscamente ofuscado pelo passado
Sente que sua vida não está no momento
Vive do passado com sábia plenitude

Consegue ver você em uma situação que ocorreu há oitocentos anos
Sente uma vontade absurda de retornar às origens
Procura todos os meios possíveis de obter isso
Mas se frustra ao ver a sociedade real atrás dos panos

E quando a cortina fecha, os aplausos são o que mais importa
Consegue inundar o salão com o barulho estridente
Aos poucos a multidão se levanta num viral humano
Mas se sente triste porque agora seu rumo é a porta

A porta para o mundo sem platéia, aquele que o castiga
Não te espera levantar, segue num compasso intrínseco
Numa ânsia de acordar no passado, de ouvir a sua lira
De despir a veste atual para vestir a antiga

Mas como um peão, num momento fatídico e único
Pára, já sem força, sem vontade, sem opinião
A Força que o conduz já não o pode revigorar
Mas há sempre uma mão para ajudar o pudico

O momento é você que faz, as suas escolhas mudam diretamente com a sua vontade
Não é preciso seguir o que oferecem, e ninguém precisa seguir o que você oferece
Porque este círculo vicioso culmina na extinção, não extinção humana
Mas o processo que julga e que amedronta extinguindo a alma da verdade

Música: Misirlou - Cleanoff Strings & Orchestra
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14 de abr. de 2011

Amor x Orgia


Não, não foi a primeira
Não, não era ela
Entrego as cartas
Não! Não foi a primeira seda

Não deixe que eu saiba
da tua orgia rotineira
Saiba da minha
Orgia primeira

Foi com um anjo
Não, não foi ela
Foi pessoa singela
Apareceu

Apareceu
Sem asas
Sem auréola
Com sexo

Não, não era um anjo
Era uma mulher
Linda, compreendeu-me
Era um anjo

Adotou-me
Em meu próprio lar
Banhou-me ao gemer
Confortou-me ao deitar

Ainda resta licor
No lençol, odores fundidos
Ainda nasce o amor
em noite como esta


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Do magnífico ao vulgar


Não queiras dissimular
Do magnífico ao vulgar
não há efeito a surtir
Sabes que eu sei mentir

Não vele tuas rimas ricas
Não deixe de lapidar tuas frases
O nome dos clientes argumentas
pois também és estranho a eles




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Vertigem irretocável do amadurecer



NOTA: esta leitura é melhor aproveitada se feita enquanto se ouve esta música:


Eu era uma criança brincando com formigas
Agora sou uma formiga no meio de grandes crianças
Me disseram que com fogo não podia brincar
Mas não me disseram que o coração podia queimar

Da vida conheço os vales, montanhas e planícies
Dos mares conheço a vida, imensidão e a brisa
Desta terra conheço a gente, que sempre me faz sorrir
Sorrir e chorar, em seus sonhos tortuosos como Pisa

Nem o Enforcado, nem a Papisa o destino podem me definir
Nem a cabala , nem o estalo de Mjölnir
Nem tuas músicas hilariantes
Nem teus olhos cintilantes

Nem teu fascio que une forças
Nem teus ídolos itinerantes
Nem tuas faces sufocantes
Nem tuas severas escolhas

Da força de cavalos se leva a carroça
Dos cavalos a injúria da vacina
Desta vacina a cega cura
Cura esta que não fascina

Eu mesmo assim levo o servo
Que não serve se não aos esperançosos
Me disseram que a esperança não é ligeira
Mas que lustra os móveis dos idosos

A tarântula caminha rastejante
Segue com teus olhos negros para esse mundo
Que perdeu a obra do autor
Pra seguir com firmeza o vagabundo


Música: Ochi chyornye - Feodor Chaliapin
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Rattus norvegicus


Por que não conseguem enxergar?
É simples, nada discreto
Se ergue perante todos
Como uma grande cruz de concreto

Talvez por ser tão óbvio
Trás alguma confusão
Quem é pobre nao acredita
Quando anda por este chão

Os mais burgos tentam buscar
Alguma brecha na teoria
De onde poçam começar
Como ratos, anarquia

Pode ser que só eu veja
Minha verdade,
Minha fortaleza,
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13 de abr. de 2011

Let me say


Let me lay
Why don't you give me a rest
The sins you have to pay
are the guilt of my soul

My ambitious mind
led your homicide hands
However times just goes on
Past is the platform for the future


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Meu nome é Brasil.


Não sou mais um cético e tenho tantas dúvidas quanto um amador. E para quem quer demonstrar valor eu digo isto: a verdadeira preciosidade nos provérbios chineses é a ausência do nome criador, é a presença do nome de uma nação. Aqui me entrego. Prazer, sou Brasil.
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Escute a voz da sabedoria




Assim como tu
fui eu
Assim como pensas
já pensei
Ou hei de imaginar

Sei que já é esforço
Está pregado
nos teus traços oblíquos
Tu, lapidando as palavras
na tua indireta te contradisseste

Pensas que és grandioso
Te falta humildade
E te falta a experiência
de quem já correu mil milhas

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12 de abr. de 2011

Réquiem para um Pensamento


NOTA: esta leitura é melhor aproveitada se feita enquanto se ouve esta música:





Você sabe, sei que sabe
Como é a satisfação de nutrir o seu ego
O que você não sabe é que tudo que aprendera até agora
É fruto de situações que todos os antecessores a você já presenciaram
Nada para você será novo, todos os seus fantasmas já fizeram o que tens em mente
E saiba, eles conseguiram
Não porque alguem os ensinou, não porque tiveram antepassados que passaram as evidentes histórias
Eles se quer tinham manuais, tampouco você lê manuais
Para poder ser esbravejado pela sua clientela que adota seus feitos
Não basta ser o melhor, se diferenciar da multidão
Isso é pouco, para causar efeito tens de criar, inovar, utilizar a tua mente para situações que ninguém se quer imaginou ou viveu
Os Heróis são heróis não porque o destino lhes reservou esta alcunha, e sim porque eles fizeram o que tinham que fazer
Colocaram à frente de tudo a sua vontade
Se para quem diga que nada se cria, tudo se transforma, ou nada se cria tudo se copia eu mando os meus sinceros olhares tristes
Por ouvir tal leviandade, já que não acreditam no potencial da criação do pensamento

Música: The Funeral of Queen Mary - Henry Purcell's
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11 de abr. de 2011

Tudo ou nada, ou metade.


E toda essa ciência?
De nada sei!
Cansei!

Eu era um
Agora sou mais de milhão
no meio de bilhões

Eu era um
Agora nada
Agora tudo

Eu era um
Agora célula
Agora átomo

Eu era um
Agora quarks
Agora Up
Agora Down!

Irredutível, irreversível
Quantizado ainda
Não sou mago
Agora eu sou...

Quantizado ainda
Ainda Down.



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Paradoxo do amor




Inconstante harmonia
Parábolas da minha jornada
Rumo ao amanhã
Paradoxo para a poesia
São os teus cabelos

Apenas isso... por hoje...

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10 de abr. de 2011

Eterno RiFiFi

NOTA: esta leitura é melhor aproveitada se feita enquanto se ouve esta música:


Não! Eu não lamento nada...
Porque lamentar é refletir com arrependimento sobre o passado
Não! Eu não lamento nada...
Porque lamentar-se é ter pena daquilo que já foi
Não! Eu não lamento nada...
Porque lamentar-se é chorar por aquilo que não volta

E tudo começa do zero, a festa começa agora
Sem todos os medos, apenas se levará aprendizado
Simplesmente pelo que a vida leva, carrega ou trás
É como se ouvíssimos a sinfonia pessoal, após todas derrotas
Todos deveriam encontrar a sua sinfonia, sintonia, sincronia

Não! Eu não lamento nada...
Porque todas as minhas incertezas já foram dilaceradas
Não! Eu não lamento nada...
Porque todas as minhas angústias já foram petrificadas
Não! Eu não lamento nada...
Porque o caminho único que me resta, é um eterno rififi.

Música: Non je ne regrette rien - Edith Piaf
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8 de abr. de 2011

Funesta


Agora vens a mim
Caminha em passos curtos
Brandos e arrastados
Já com outras intenções

Trás contigo o cheiro pútrido
Desta tua carne, agora azeda
Outrora fostes musa, que me encantava
Com a tua simplicidade e beleza

Trás o medo, o teor infeccioso
E aquela discreta perversão
Agora se extingue, no verde opaco
Dos teus olhos castanhos

Anteriormente foi desejado
Ser tocado pelos lábios teus
Mas agora nem perto te quero
Traria com isso o meu adeus

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7 de abr. de 2011

Oblivion


Spending my time in thoughts of death
Whispers of hope are waste of my breath
I hurt you, but who cares?
I love you as I love my scars

It isn't the place, nor the time
For you to bless me with your crimes
I know death is all arround
But I won't stop, lying with my keen smile
Just as Him, I can make you fall
He knows yours deeds, I know it all

But it is allright, 'coz we still alive

We are not going to Eden,
No, we don't deserve this heaven
Where the Good Lord think's better
To be blind and deaf forever

Kiss the priest and i'll be allowed
To reveal you the secrets that once were censored
We are going to hell, there you'll learn it's better
Live fiercely than work forever
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O Homem do Medievo

NOTA: esta leitura é melhor aproveitada se feita enquanto se ouve esta música:

Procul ex oculis, procul ex mente

Fosse falácia, o andarilho vespertino
Fosse lacônico, a sua conduta
Fosse absorto, pela sua euforia
Fosse senil, na criança adulta

Deixasse triste, o velho matutino
Deixasse ausente, sua estirpe errante
Deixasse torpe, a vitória do menino
Deixasse única, a tua luta incessante

Criasse a espada, escudo e a lança
Desfizesse das injúrias caluniantes
Prolongasse tuas calmarias após a ânsia
Encurtasse tuas estranhas naturezas

Desfizesse de tuas vestes prateadas
Conduziste tuas tropas ao abismo
Induziste a tua força para a enseada
Cortejasse teus inglórios misticismos

Caminhaste para tão longe
Que de longe, saudade o fez
Saudade que nunca fizera
Voltar o homem outra vez

Música: Conquest of Paradise - Vangelis
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4 de abr. de 2011

Verme da Hermenêutica


NOTA: esta leitura é melhor aproveitada se feita enquanto se ouve esta música:

É inevitável, inegável e irredutível que a sabedoria humana não passa de um mero acaso físico.

Humanos, meros grãos de areia sufocados pelos trâmites da sociedade. Inquietação constante, frustrante e inebriante...

Sensações meramente psicológicas, reações químicas, fisicamente comprováveis... como pode?
Como pode o ser humano ser tão simplificável na sua magnitude, e assim por se dizer capazes de notáveis criações...

De tal forma que se achem capazes de tudo, atados pelos quatro membros.
Puramente ilustrativos, comparados a todos os outros seres, e talvez até inferior a eles, já que buscam incessávelmente as respostas...

as respostas de suas origens. E se a preocupação fosse para aonde vamos ao invés de onde viemos?

Talvez não existisse injustiça, religiões ou fronteiras, nem céu nem inferno.
Talvez fosse plausível parar de decifrar a linguagem dos golfinhos e se deter apenas a linguagem humana.

Talvez fosse plausível explicar da mesma forma a um verme na terra o quão ele é importante ao universo.

Infinito ou não, comparado a ele, nós somos igualmente como larvas rastejantes que num mundo gigantesco habitado por criaturas enormes e bizonhas, sofre com a insensatez da tamanha inferioridade.

E ainda assim, elas não interrompem de seguir seu destino limitado e ficcional.
A nossa liberdade não está no que é físico, e sim no maior momento que tiveres em tua mente.


Música: Heaven - I Monster
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Incerteza


A cena se repete
Numa, a angústia
Noutra, distante,
A ânsia por liberdade

Não compactuam
As exitações
Se multiplicam
As frustrações

A essência outrora usada
Com fins de encanto e de beleza
Agora jaz no corpo meu
E no de outra - mais incerteza

Os princípios são questionados
Enquanto em carne, há sincronia
Anteriormente chamado de tal
Agora nem se entende

Mas me responda,
Sem pensar:
Por que parar
Enquanto se está contente?

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2 de abr. de 2011

Prostrados


Tão diferentes
Uma repousa
Soberana em seu reino
Águas do pacífico

O outro arde
Vem do inferno
Conturbado
Caindo em forma de cinzas

Encontro fatal
Se fez a poção
Fusão maravilha
O brilho e o reflexo

Com tantas discrepâncias
Homogêneo agora
Um brilha intensamente
A outra também, porém reflexo

O chiado ainda ecoa
Sonzinho de brasa
Ainda se apagando
Não ao encontro.

Sem o brilho,
sem reflexo.
Sem calor
Frio, sozinho.
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