31 de mai. de 2011

A arte do sussurro

NOTA: esta leitura é melhor aproveitada se feita enquanto se ouve esta música:



E vejo o brio dos teus olhos
Quando esmaga assim os meus ossos
Quando foges do meu sorriso
Ou não ouves o meu aviso

Conto os passos para dar volta ao mundo
Mas num segundo me ponho a descansar
Porque penso em outro mundo
Que não me põe para julgar

Hoje vivo num elegante julgamento
No meio das tais excelências
Enquanto espero do suspiro aliviar
Pra ver mais uma vez os olhos teus
Que na manhã a passarada faz cantar

Em escalada, o mundo segue desordeiro
Anarquia desmotivante
Que une a força do bravo
Mas que irrita o petulante

Com um sussurro, um aviso
Com aviso, um pensamento
Um pensamento, um julgamento
Um julgamento, um indeciso
No indeciso, um petulante
Que acaba de uma vez
Com um sussurro inebriante

Música: Histoire D'o - Paul Mauriat
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27 de mai. de 2011

Hide and Seek

NOTA: esta leitura é melhor aproveitada se feita enquanto se ouve esta música:


Aqueles olhos azuis
Me seguem a todo lugar
Toda esquina, todo bar
Todo campo, toda estrada
Verifico que não resta mais nada
A não ser olhar, quem agora me seduz

Aquela voz doce
Me persegue a todo lugar
Toda casa, todo parque
Toda rua, todo mar
Verifico que não resta mais nada
A não ser o que me fez, parar para escutar

Aquela pessoa
Me persegue a todo lugar
Toda luz, toda escuridão
Toda enseada ou imensidão
Verifico que não resta mais nada
A não ser fazer o que quero tentar
Abraçar a quem me segue, sobre a luz desse luar.

Música - Te quiero - Stromae
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24 de mai. de 2011

Cabron!

NOTA: esta leitura é melhor aproveitada se feita enquanto se ouve esta música:



Ande rapaz, mova-te dessa estrebaria imunda
Levante e caminhe nesta direção
Entenda o que eu te digo
Não esquece desse tremendo furacão

Levanta esta tu mano izquierda
Te une a esta legião
Garante aqui o teu espaço
Não seja apenas mais um nesta nação

Teu povo precisa de ti
Sei que já podes me ouvir
Sei que já podes me falar
Mas escute atentamente as histórias que vivi

Primeiramente sejas hermano de tus hermanos
Pegue tuas armas e as flores
Apenas responda a este chamado
Tua história será repassada através dos anos

Seja herói, seja comandande, seja soldado
Sejas tu, esqueça da matriarcal sede de poder
Reaja, nem oligarcas nem aristocrátas
Nem monarquias, guardarão teu destino revolucionário

Tua revolução não é contra homens, nem estados, nem abalos
É contra ti mesmo, para libertares de tuas amarras
De tuas correntes e muros que te cercam
Teu furor revolucionário, para acabar com tuas viseiras de caballo

Música: Hasta siempre Commandante Che Guevara - Carlos Puebla
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19 de mai. de 2011

O rio é meu, do Nilo ao Niágara

NOTA: esta leitura é melhor aproveitada se feita enquanto se ouve esta música:


Não cometeste nenhum crime,
Mas também não salvaste nenhuma vida
Não apertaste nenhum gatilho
Mas também não foi tua a mão que cessou o fogo

Não és vilão de forma alguma
Contudo não tens nenhum feito heróico
Permaneceste quieto e distante, sempre
Com teu comportamento indiferente e sério

Quando recorri a ti com urgência
Me respondeu com apatia,
Porque é assim que és

Não foi capaz de descrever o quão doloroso matar
Nem de o quão glorioso é a vida de alguém salvar
Nunca conseguirás me contar de teus pecados,
Assim como nunca citarás nenhum de teus valores, falsos

Simplesmente ficaste aí
Observador ocioso dos dias que passam
Absoluto, sem estabelecer ideias acerca de nada

Sem reação, sem opinião
Sem opinião, sem hesitação
Sem ação, sem nada

Eu agora me questiono se tu não te sentes
Abandonado, esquecido, fragilizado
Se já sentiste a dor, se já sentiste o amor

Ou se só sentes o vidro da janela pressionado contra seu nariz
Enquanto assistes, impotente, as voltas que este mundo dá,
Cada vez mais rápido,
Através de um mar de esperança, desespero e desapego
Enquanto não encontra nem perguntas, nem respostas.


Música: Bicho de Sete Cabeças - Zé Ramalho
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17 de mai. de 2011

Quinhentas milhas

NOTA: esta leitura é melhor aproveitada se feita enquanto se ouve esta música:


É tão fácil esquecer dos bons momentos do dia
Ao passo que é muito difícil perdoar os malefícios do mesmo
O Homem preocupa-se demais com o que não lhe pertence
Como também preocupa-se demais com a sua forma física
Enquanto deveria se preocupar mais na sua forma de pensar
Tampouco os homens se preocupam com aquilo que os faz apenas Viver
Ou quem os colocou no mundo, ou quem faz dessa vida um mar de Euforias
Já dizia o homem de sábia consciência
Preocupação é apenas se frustrar antecipadamente
Ocupar-se daquilo que não faz sentido
Não confunda descaso com preocupação
Ter os olhos atentos é diferente de saber o caminho e ir vendado
Porque aprender que uma rocha é dura, é totalmente diferente de Ter a singela experiência de socá-la
O futuro sempre acontecerá, independente se houver homens no Mundo ou não
O presente, acaba de virar passado e o conceito é frustrante
Porque nunca se consegue definir o que é
Do passado? Guardo as memórias boas, tento ao menos relembrar Sempre que posso
Porque as ruins, são marcantes como cicatrizes, ao ve-las, Lembramos do Acidente
Mas não nos remoemos mais, porque a dor ou os processos já estão Em outra estância
Prefiro identificar cada indivíduo do meu passado, ficar atento a cada Segundo que ainda é presente
E pensar no futuro como motivação e não como um fardo
Pretender seguir nessa estrada é algo grandioso, requer no mínimo Atenção, cuidado e prudência
Sempre com estes quesitos, porque a estrada não tem fim, nunca, Não é apenas uma estrada que
Enchergamos o final, que sabemos o que virá em nossa direção, não É apenas...
Quinhentas milhas

Música: Five Hundred Miles - The Hooters

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Tente resolver, uma opção pode escolher

NOTA: esta leitura é melhor aproveitada se feita enquanto se ouve esta música:



Escolha viver, escolha fugir
Tente correr, tente me ouvir
Tente me ver, comece a grunhir
Escolha cantar, escolha partir

Comece a dançar, sinta no ar
Resolva surgir, não deixe cair
Resolva parar, deixe-o uivar
Comece a surtir, comece a surtar

Comece a dançar, tente acalmar
Não pare de rir, pare de chorar
Tente sorrir, me deixe ajudar
Iluda o freguês, faça-o pagar

Cante ao luar, visite o pomar
Tente propor, solte o vapor
Deixe-o queimar, ajude-o lutar
Deixe anunciar, da borboleta ao larvar

Resolva decidir, o caminho a perseguir
Decida a solução, que seja os braços do campeão
Não deixe transparecer emoção, nem exploda o coração
Critique sem medir, mas sempre pense antes de agir

Tente escolher, viver intensamente ou morrer em acidente
Faça balançar, ganhar um ente
Entenda o cavalgar, obstáculos no caminhos vais achar
Mas jamais, em hipotese alguma, deixe de tentar.

Música: Francia - Laibach
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14 de mai. de 2011

Isodensidade


Venho correndo, denovo ela

Venho com pressa, troco o lado

Volto devagar, tranço as pernas

E agora em harmonia subo farto



Haha, não, nem anjo nem flor...

Dançarina clara, aquela que dança

No ar, no ato, na dor . . .
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11 de mai. de 2011

Um brinde para a insanidade

NOTA: esta leitura é melhor aproveitada se feita enquanto se ouve esta música:


Olhar nesta rua vazia,vazia minh'alma falida

Não saber analisar o prognóstico da minha vida

Mundo meu que exclama em grande lamúria

Grunhindo junto aos ratos, ratos , ratos na via

Séries de pessoas me apresentam soluções

Medos, travessuras, viagens e invenções

Mirabolantes mentes conspiram contra mim

Mirabolantes mentes conspiram contra mim

Nesta travessia

Já não vejo os mesmos rostos

Daqueles que me atormentavam, no camarim

Mas que tornam essa parábola, a unica, a unica, a unica

Sem fim

Estas vestes que limitam o móvel, mover,

Move-se, outrora minha luta contra quem não é

Deixa de ser ou se faz prevalecer

Eles tem perseguido-me, eles tem feito-me correr

Colocou em mim a semente da astúcia

E as verdades são mentiras

Não confio em ninguém, ninguém, ninguém

Nem na antiga Rússia

Aquele remédio a quem me atiras...

A gente vende e compra duas liras

Lira, lira me diga...

Eu não sei, não sei... não sei

O que estão falando, talvez sejam loucos

As vozes ecoam, é a lei

Deixem elas voareeem, meu correio é alado

Voa, voa, pequenina, voa...

Peguem eles, os inimigos irão sofrendo

E sigo ainda dizendo, que a loucura tomou a eles

Porque tentam me segurar

Se estiver louco doutor, doutor, doutor

Pode falar

Mas verdade seja dita, se sei o que é Guernica

E nem me escondo pra falar, me veja três copos e alho

Que é bebida pra se celebrar


Música: Crazy - Gnarls Barkley

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9 de mai. de 2011

O paradigna matriarcal e a perspectiva de um filho dividido


Um conjunto sem distorções
Comporta os três, e suas convicções
Nada dissipa a magia que os unta
Nada separa esta mágoa da angústia

Não se sabe o que um deles tormenta
Outro se sabe que foi sua recente a perda avarenta
Do amor de uma vida, no clamor de sua voz
Outro se sabe, não é nada

Não é nada que interesse,
Nada que sejamos capazes de compreender
Nada que nossa mente fútil não venha,
Com seu intelecto torpe, a distorcer

Cada um descreve seus temores com seus casos
Casos de amor e guerra
De uma vida sem encantos

Vida esta que eles sabem
Não há real significado
Se ao que tiveres, nenhum valor for agregado.
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Peças certas em momentos certos

NOTA: esta leitura é melhor aproveitada se feita enquanto se ouve esta música:


É verdade imutável, a consciência do homem é algo divino e arbitrário.

E esse se não for divino decorre da consciência racional do ser.

A arbitrariedade projeta o teológico no científico.

A liberdade projeta o científico no teológico.

O teológico é permanente e exclusivo.

O científico é informal e anárquico.

Anarquia da coerção humana.

Anarquia não da ausência de poder.

Elementos opostos que não podem ser unidos.

Tampouco separados.

Porque se completam.

Lado a lado.

Numa competição desvairada.

Que une visões diferentes.

Mas que resultam em firmamento.

Firmamento para a liberdade.

Liberdade do ser.

Numa peça,

Só.


Não deixe fatos consumados colocarem tua cabeça de encontro ao chão

Que terminam por abalar a tua estrutura.

Que não te elevam à altura

Sejas tu Rei ou Peão.

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5 de mai. de 2011

Cantiga do Menestrel

NOTA: esta leitura é melhor aproveitada se feita enquanto se ouve esta música:


Ao ver cantante alegre menestrel
Nos une vivos no folclore da roda
Ciranda que me lembra teus olhos de mel
Que anima aos broncos da horda

Livra-me das angústias para me libertar
A minha imagem revela o que mais quero guardar
O meu semblante demonstra minha falha
Pois o que quero é apenas um momento contigo que valha

Sei que segues triunfante, outrora fosse minha
Hoje castiga minha ira, com a injusta mentira
Faz da minha cantiga, a mais velha artimanha
Para fugir de encontro com o passado enquanto apenas caminha

Vejo tu, junto ao meu lado, mas desapareço quando saio da linha
Me fadiga cantar uma canção minha
Porque me lembro somente dos teus passos
Os meus problemas, sinto que nem todos são rasos

Me envergonho de ti, por não decidir qual é a verdade
Cauteriza com chama, o que é justo e nos pertence
Revitaliza a vida, quando encontro outra deidade
Sei que nela esqueço tua euforia mais recente

Nessa dança os tolos se sentam
Na verdade a justiça se faz alcançar
E depois elas com furores me cantam
Porque me olhas se não me tiras para dançar?

Música: The Bard's Song - Van Canto
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4 de mai. de 2011

Como diamantes no céu

NOTA: esta leitura é melhor aproveitada se feita enquanto se ouve esta música:



Nunca esquecemos das ofensas
Mas sempre esquecemos dos elogios
Nunca se sabe quanto tempo temos
Mas se sabe o quanto tempo vivemos

Pouco se sabe do universo
Mas muito se sabe da Terra
Pouco se sabe da vida
Mas a morte é a única que é certa

Muitas são as estrelas no céu
Poucos são os verdadeiros amigos
Muitas verdades são ditas ao vento
Poucas são as mentiras que não se descobrem com o tempo

Nunca se sabe qual é o número total de palavras
Mas imagens possuem significado completo
Nunca se deixa uma criança perder a esperança
Mas crianças nunca se preocupam com herança

E se fosse verdade, que cada estrela representasse
Uma pessoa presente na terra, quando sumisse ou deixasse
Não saberíamos o que teria acontecido
Mas se entenderia que as estrelas teriam vencido

Música: Twinkle twinkle - Jewel
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