6 de jul. de 2011

Abre asas e ruma ao fogo

Os calhaus em minhas botas se esfacelaram
De tanto andar por estas pradarias
O brilho rubilar que eu havia visto em teus olhos
Está opaco, há tempos me parecem descontentes

Enquanto caminho, ficam para trás
Como este rastro de pegadas
Enquanto à frente o sol me guia
Me vejo livre e agora disposto

Um conto antigo, hoje esquecido,
Trazia a dica aos desavisados
De que aquele que alguns acolhem,
Enquanto para outros perece,
Mostrará a verdade e sua sina,
Seu papel nesse cenário inacabado

Sem olhar para trás, siga seu rumo
Sem pensar pra trás, deixe o ciclo seguir seu fluxo
Sem mais falsos sorrisos, siga o sol
E siga a lua, pois ela, e somente ela
Pode te levar àquele lugar que você anseia alcançar

Enquanto voo, não piso em falso
Enquanto ascendo, eu sinto a brisa
Enquanto plano, vejo o passado
E todas as pessoas que vão diminuindo
À medida que subo, ouvindo o vento,
Ouvindo apenas o bater das minhas asas
Mais uma vez, em direção ao sol

Irredutível, tudo abaixo
Encandeço enquanto me desfaço
Alcancei-o, e agora queimo

Nada era afinal tão claro,
Quanto este brilho, que será para sempre
A coisa mais impressionante que eu ja ví
E que será também, a minha última visão em vida
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